
Um jovem soldado inexperiente alimentou uma cobra, apesar de seus companheiros o terem avisado para não fazê-lo: alguns dias depois, algo terrível aconteceu com ele

Os soldados já estavam acostumados a servir no meio de um campo vazio e sem fim, onde não se encontrava uma única alma em quilômetros ao redor. Apenas o vento, alguns pássaros e algum animal errante quebravam o silêncio.
O serviço foi tranquilo e sem incidentes — mas era exatamente essa monotonia que os esgotava. Os homens estavam entediados, com saudades de casa, com saudades das famílias e de qualquer vestígio de um rosto humano. Sem contato, sem notícias, sem entretenimento — apenas tendas e uma espera eterna que parecia zumbir em seus ouvidos.
Todos os domingos, eles recebiam água, suprimentos e cartas de casa, mas a semana entre esses dias parecia insuportavelmente longa.
Todos tentavam encontrar algo para se ocupar: alguns engraxavam suas botas até elas brilharem, outros liam o mesmo livro repetidamente e alguns apenas sentavam perto da fogueira em silêncio, olhando para o nada.
Certa manhã, um dos soldados — um recruta jovem e completamente inexperiente que acabara de chegar — notou algo estranho perto de sua tenda. No chão seco, a cerca de um metro de suas botas, jazia uma enorme cobra preta, enrolada em um coque.
Não sibilou nem atacou — apenas o observou. O jovem congelou, mas em vez de medo, sentiu uma estranha sensação de pena. O olhar da cobra não parecia maligno, mas faminto e cansado.
Ele tirou um pedaço de pão do bolso — sobras do jantar — e estendeu a mão com cuidado. A cobra permaneceu imóvel por um instante, depois deslizou lentamente para a frente, pegou o pão e desapareceu.
Quando seus companheiros descobriram, eles apenas balançaram a cabeça.
— “Você está louco?” — disse o sargento. — “É uma cobra. É perigosa. Não as alimente.”

Mas o jovem apenas sorriu.
— Vamos, ela estava com fome. Eu só queria ajudar.
Foi o fim — e depois de alguns dias, ele já havia esquecido aquela manhã estranha. Mas, alguns dias depois, algo terrível aconteceu. Continue no primeiro comentário.
No meio da noite, quando o acampamento estava em silêncio, um leve farfalhar veio de dentro de sua tenda. A princípio, o jovem soldado pensou que fosse o vento. Mas, quando o som se aproximou, ele abriu os olhos — e congelou de terror.
Ao redor dele, como se rastejassem para fora das sombras, havia dezenas de cobras. Todas elas — tão negras quanto a primeira. Elas sibilavam, movendo-se em perfeita harmonia, e em seus olhos frios havia algo que parecia reconhecimento.
Ele se sentou lentamente, tentando não fazer movimentos bruscos, mas as cobras já o cercavam. Percebeu que elas vinham em busca de comida e começou a procurar freneticamente — um pedaço de pão, uma migalha, qualquer coisa.

Mas não sobrou nada do jantar. E naquele instante, quando a primeira cobra levantou a cabeça e sua língua se moveu no ar, o jovem entendeu o que estava prestes a acontecer.
O chiado ficou mais alto. Todas as cobras se moveram ao mesmo tempo — e começaram a atacá-lo, mordendo-o.
De manhã, quando seus companheiros notaram que o jovem soldado não havia aparecido na fila, foram verificar sua barraca. Seu corpo jazia na entrada, com os olhos arregalados e a pele coberta por dezenas de pequenas marcas de mordidas, quase perfeitas.
Não havia cobras por perto — apenas trilhas sinuosas na poeira que levavam em direção à floresta.
Daquele dia em diante, ninguém mais ousou alimentar animais selvagens.


