
Todo mês, no mesmo dia, eu visitava o túmulo da minha esposa. Mas desta vez, ao chegar, descobri uma verdade que até então permanecera em segredo.
No dia 15 de cada mês, eu ia ao túmulo da minha esposa. Fazia um ano que ela se fora, e o cemitério estava completamente silencioso — só eu e nossas lembranças. Mas eu frequentemente notava flores frescas que eu não havia trazido.
Simplificando, alguém estava chegando antes de mim.
Numa manhã ensolarada, decidi chegar mais cedo do que o habitual para desvendar este mistério.
Naquele dia, cheguei e vi vasos de vidro cuidadosamente dispostos sobre o túmulo. Meu coração apertou, mas a curiosidade me atormentava.
O zelador do cemitério era um senhor idoso com um sorriso gentil, que recolhia as folhas. Aproximei-me dele e perguntei:
— Com licença, você sabe quem traz essas flores toda semana?
Ele assentiu: “Toda sexta-feira, um homem vem ao túmulo de sua esposa há um ano.”
Ele começou a descrever o homem. Sua descrição não correspondia em nada às pessoas que deveriam estar visitando o túmulo da minha esposa. Na semana seguinte, cheguei ao cemitério ainda mais cedo do que o habitual.
Ao passar pela guarita, notei o zelador, que me disse:
— Depressa, senhor, ele está aqui.
Corri até o túmulo da minha esposa e testemunhei uma cena que me chocou…
Continua no primeiro comentário.

Fiquei paralisado a alguns passos de distância. Junto ao túmulo, estava um homem de meia-idade, com mechas grisalhas no cabelo e mãos trêmulas. Ele segurava um buquê de lírios brancos e falava com uma voz suave, quase sussurrante:
— Perdoe-me… Percebi tarde demais o quanto eu te amava.
Ele se ajoelhou e passou os dedos pela pedra como se fosse um rosto. Fiquei sem fôlego. Quem era ele? Por que essas palavras soavam tão sinceras?
Aproximei-me e o homem se virou. Seus olhos brilhavam de lágrimas, e eu o reconheci. Era um antigo amigo de faculdade da minha esposa — alguém que ela mencionara apenas algumas vezes, quase de passagem.
Ele suspirou pesadamente:

— Éramos jovens… e eu a deixei ir. Me arrependi disso a vida toda. Quando soube da morte dela, não pude deixar de vir.
Desde então, venho aqui toda semana. É minha única maneira de ficar perto dela.
Senti ciúme e raiva lutando dentro de mim com um respeito estranho. Ele a amava à sua maneira, e mesmo depois da morte dela, seus sentimentos não haviam desaparecido.
Olhei para as flores em suas mãos e entendi: ele não era um rival nem um inimigo. Era mais uma pessoa que a guardava em seu coração.
Ficamos em silêncio, mas pela primeira vez em muito tempo, não senti solidão — senti calor. Porque o amor por ela não vivia apenas em mim.


