
Minha sogra entrava em nosso quarto todas as noites exatamente às três horas enquanto dormíamos: uma noite fingimos estar dormindo para finalmente entender o que ela realmente queria
Meu marido e eu moramos na casa da minha sogra até conseguirmos um lugar só nosso. Durante o dia, ela parecia uma mulher comum — calma, equilibrada, atenciosa. Mas à noite, era como se algo mudasse. Todas as noites, exatamente às três da manhã, ela entrava no nosso quarto sem bater, segurando uma pequena lanterna na mão.

Ela não se importava que estivéssemos dormindo, que ela nos acordasse. Quando perguntamos por que ela fazia isso, sua única resposta foi:
— Eu só queria ver o que você estava fazendo.
— Mãe, o que poderíamos estar fazendo às três da manhã? Estávamos dormindo. Volte para o seu quarto — disse meu marido, cansado.
Mas na noite seguinte aconteceu de novo. E de novo na noite seguinte.
Eu estava exausta. Comecei a ter problemas de sono — depois das visitas noturnas dela, não conseguíamos voltar a dormir por um longo tempo, e às seis horas tínhamos que acordar para trabalhar. Desesperada, sugeri ao meu marido:
— Quando sua mãe chegar, não vamos nos levantar. Vamos fingir que estamos dormindo. Talvez assim a gente entenda o que ela realmente quer.
E então, naquela noite, ela entrou em nosso quarto mais uma vez. Ficamos deitados com os olhos fechados, tentando não respirar muito alto.
O que minha sogra fez em seguida nos deixou em choque. Continua no primeiro comentário.

Ela ficou parada ao lado da cama por vários minutos, apontou a lanterna para nossos rostos e nos chamou pelo nome. Não respondemos. Depois de uns cinco minutos, ela saiu silenciosamente.
Na noite seguinte, já com medo de suas visitas noturnas, tomei uma decisão desesperada: empurrei um guarda-roupa velho para a frente da porta do quarto para que ela não pudesse entrar.
Naquela noite, dormimos profundamente, pela primeira vez em muito tempo. Mas pela manhã um verdadeiro horror nos esperava: encontramos minha sogra em sua própria cama. Ela não respirava. Seu corpo estava frio.
A ambulância chegou rapidamente. Os médicos disseram que foi um ataque cardíaco repentino.
— A morte ocorreu há cerca de cinco horas — disse um deles.

— Então… às três da manhã — sussurrei. E congelei com as minhas próprias palavras.
Porque todos os dias ela entrava no nosso quarto exatamente naquele horário. Por quê? Para nos ver? Ou porque ela mesma sentia o fim se aproximando e tentava escapar?
Ou talvez, naquela noite passada, quando não abrimos a porta para ela, algo dentro dela finalmente cedeu…
Nunca encontrei a resposta. Para mim, permanecerá para sempre um mistério.


