{"id":10898,"date":"2026-01-31T02:43:56","date_gmt":"2026-01-31T02:43:56","guid":{"rendered":"https:\/\/news5.chainityai.com\/?p=10898"},"modified":"2026-01-31T02:43:59","modified_gmt":"2026-01-31T02:43:59","slug":"uma-orfa-e-ridicularizada-e-forcada-a-se-casar-com-um-homem-deficiente-sete-dias-depois-eles-retornam-do-ceu-em-um-jato-particular-deixando-todos-sem-palavras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/news5.chainityai.com\/?p=10898","title":{"rendered":"Uma \u00f3rf\u00e3 \u00e9 ridicularizada e for\u00e7ada a se casar com um homem deficiente \u2014 sete dias depois, eles retornam do c\u00e9u em um jato particular, deixando todos sem palavras."},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/news5.chainityai.com\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/image-407-1024x1024.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-10899\" srcset=\"https:\/\/news5.chainityai.com\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/image-407-1024x1024.png 1024w, https:\/\/news5.chainityai.com\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/image-407-300x300.png 300w, https:\/\/news5.chainityai.com\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/image-407-150x150.png 150w, https:\/\/news5.chainityai.com\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/image-407-768x768.png 768w, https:\/\/news5.chainityai.com\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/image-407.png 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando um enorme jato particular pousou atr\u00e1s de sua casa, toda a vizinhan\u00e7a gritou. Ningu\u00e9m esperava por isso. N\u00e3o para ela. N\u00e3o para a garota que todos intimidavam para que se calasse. Ela havia sido for\u00e7ada a um casamento sem amor. Um casamento com um homem preso em um corpo debilitado. Um homem em quem o mundo j\u00e1 havia desistido. As pessoas cochichavam pelas costas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Riram da pr\u00f3pria dor. Chamavam-lhes o casal triste. Ningu\u00e9m acreditava neles. At\u00e9 o dia em que o mundo testemunhou um milagre. Um milagre que provou que duas almas quebradas podiam se erguer mais alto do que qualquer um jamais imaginou. Maya Benson, de 21 anos, dominava a arte de ser invis\u00edvel. Desde que se lembrava, aprendera a encolher-se, a andar silenciosamente, a falar baixo, a respirar levemente e a existir no menor espa\u00e7o poss\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00e3o porque ela quisesse, mas porque o mundo parecia exigir isso dela. Ela estava acima do peso. Era dolorosamente quieta. Era \u00f3rf\u00e3 e as pessoas nunca a deixavam esquecer nada disso. Sua tia, a mulher que a acolheu depois que seus pais morreram, nunca perdia a oportunidade de lembr\u00e1-la de como ela era sortuda por ter um teto sobre a cabe\u00e7a. Olha s\u00f3 para voc\u00ea.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sua tia dizia, revirando os olhos: &#8220;Voc\u00ea \u00e9 grande demais, lenta demais, fr\u00e1gil demais. Nenhum garoto jamais olhar\u00e1 duas vezes para uma menina como voc\u00ea.&#8221; \u00c0s vezes, as palavras vinham como um tapa, \u00e0s vezes como uma facada, mas sempre feriam. Maya aprendeu a n\u00e3o responder, a n\u00e3o chorar onde qualquer um pudesse ver, a n\u00e3o ter grandes expectativas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A casa onde ela morava n\u00e3o era um lar. Era apenas um lugar onde ela sobrevivia. Dormia no menor quarto, usava roupas dois n\u00fameros menores porque era tudo o que lhe davam e mantinha a cabe\u00e7a baixa para n\u00e3o ser acusada de querer chamar aten\u00e7\u00e3o. N\u00e3o havia comemora\u00e7\u00f5es de anivers\u00e1rio, nem abra\u00e7os calorosos, nem &#8220;estou orgulhoso de voc\u00ea&#8221;, nem mem\u00f3rias que valessem a pena guardar, apenas a solid\u00e3o comprimida na forma de uma menina.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Aquela manh\u00e3 come\u00e7ou como qualquer outra. Maya varria a sala enquanto sua tia, sentada no sof\u00e1, mexia no celular. A luz do sol que entrava pelas cortinas tingia o c\u00f4modo de dourado, mas nada naquele momento parecia acolhedor. Sua tia n\u00e3o levantou os olhos enquanto falava. &#8220;Voc\u00ea vai se casar&#8221;, anunciou casualmente, como se estivesse falando do tempo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Maya parou abruptamente no meio da varredura. Seu cora\u00e7\u00e3o disparou. Sua garganta apertou. Ela se virou lentamente. Casada com quem? Sua tia finalmente olhou para ela. Seu rosto inexpressivo. Sem emo\u00e7\u00e3o, quase entediado. Com um homem aleijado. Os pais dele disseram que ele precisa de companhia. E voc\u00ea \u00e9 adequada. Essa palavra atingiu Maya com mais for\u00e7a do que qualquer outra. Adequada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00e3o amada, n\u00e3o escolhida, n\u00e3o valorizada, apenas adequada. Como um m\u00f3vel escolhido por ser barato, n\u00e3o por ser desejado. O peito de Maya apertou at\u00e9 que ficou dif\u00edcil respirar. Ela sentiu os olhos arderem com l\u00e1grimas, mas n\u00e3o ousou deix\u00e1-las cair. Chorar s\u00f3 pioraria as coisas. Sua voz saiu fraca. &#8220;Eu tenho escolha?&#8221; Sua tia zombou.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00e3o comece com essa bobagem. Esta \u00e9 a melhor oferta que voc\u00ea jamais receber\u00e1. Voc\u00ea deveria ser grata por algu\u00e9m sequer querer voc\u00ea. Grata por ser dada em casamento como um fardo que algu\u00e9m queria se livrar. Grata por ser entregue a um homem que ela n\u00e3o conhecia. Grata por n\u00e3o ter nenhuma voz sobre a pr\u00f3pria vida. Os olhos da tia se estreitaram. O casamento \u00e9 na semana que vem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00e3o me envergonhe. Com isso, ela se levantou e saiu do quarto, deixando Maya sozinha com sua confus\u00e3o, medo e a vassoura que de repente pareceu pesada demais para segurar. Naquela noite, Maya ficou deitada em sua pequena cama, encarando o teto rachado. Ela abra\u00e7ou o travesseiro com for\u00e7a, tentando acalmar o p\u00e2nico que subia por sua garganta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ela n\u00e3o sabia nada sobre o homem. N\u00e3o sabia como ele era. N\u00e3o sabia se ele era gentil, cruel ou raivoso com o mundo. Tudo o que sabia era que ele n\u00e3o conseguia andar. E, de alguma forma, isso a tornava boa o suficiente para ser sua esposa. Maya fechou os olhos e sussurrou na escurid\u00e3o: &#8220;Por que eu?&#8221;. Mas ela j\u00e1 sabia a resposta, porque n\u00e3o tinha ningu\u00e9m, nem pais, nem irm\u00e3os, ningu\u00e9m para defend\u00ea-la ou lutar por ela.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ela estava sozinha, e pessoas sozinhas eram f\u00e1ceis de controlar. Maya puxou o cobertor at\u00e9 o queixo e deixou l\u00e1grimas silenciosas ca\u00edrem no travesseiro. Ela chorou baixinho, do jeito que aprendera a fazer quando crian\u00e7a. Era mais seguro assim, seguro sofrer onde ningu\u00e9m pudesse ver. Ela n\u00e3o chorou pelo casamento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ela chorou porque sentia que sua vida n\u00e3o lhe pertencia mais. Como se estivesse \u00e0 deriva, para onde o mundo a empurrasse, como uma folha levada pelo vento. A garota que o mundo rejeitou. A garota sem voz. A garota que estava prestes a entrar em um casamento que n\u00e3o escolheu. Os dias seguintes passaram num piscar de olhos. Sua tia nunca mencionou o amor. Cestas de presentes<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nunca mencionou felicidade. Nunca perguntou se Mia estava com medo. Ela s\u00f3 falava das tarefas que Mia precisava terminar antes de ir embora. N\u00e3o se esque\u00e7a de dobrar a roupa. Esfregue bem os azulejos do banheiro. N\u00e3o seja pregui\u00e7osa. E, pelo amor de Deus, n\u00e3o nos envergonhe no casamento. Tente n\u00e3o parecer que vai chorar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Cada palavra lembrava Maya de como ela era descart\u00e1vel naquela casa. Ela se movia como uma sombra silenciosa, fazendo tudo o que lhe mandavam, desejando poder desaparecer completamente. \u00c0s vezes, ela se perguntava: &#8220;Ser\u00e1 que minha vida se resumir\u00e1 a isso?&#8221;. Mas at\u00e9 mesmo se perguntar parecia um luxo que ela n\u00e3o merecia. A noite anterior ao casamento foi a mais solit\u00e1ria de sua vida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sua tia n\u00e3o se preocupou em ver como ela estava. Ningu\u00e9m perguntou se ela estava bem. Ningu\u00e9m a tranquilizou, dizendo que as coisas melhorariam. Ela estava sentada na cama, com os joelhos encolhidos junto ao peito e o queixo apoiado nos bra\u00e7os cruzados. Seu vestido de noiva, simples, amassado e um pouco folgado, estava pendurado na parede. Ela o encarou por um longo tempo, engolindo a dor no peito.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por um instante, ela imaginou uma vida diferente, uma vida normal, uma vida onde fosse amada, onde algu\u00e9m lhe desse a m\u00e3o e lhe dissesse que ela era importante. Uma vida onde ela n\u00e3o fosse grande demais nem quieta demais. Talvez em outro universo, pensou ela, teria sido feliz. Mas n\u00e3o aqui, n\u00e3o agora, n\u00e3o nesta vida. Ela respirou fundo, com a voz tr\u00eamula, e sussurrou.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Eu queria que algu\u00e9m, qualquer pessoa, me visse. A manh\u00e3 chegou. Sua tia bateu na porta uma vez. Depressa. Eles est\u00e3o esperando. Maya se vestiu em sil\u00eancio. Suas m\u00e3os tremiam enquanto ajeitava seu vestido simples. Ela n\u00e3o usava maquiagem, nem joias, nem nenhum familiar arrumando seu cabelo. Parecia uma garota indo para uma entrevista de emprego, n\u00e3o uma noiva. Jogos em fam\u00edlia<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Seu reflexo a encarava do espelho. Um rosto redondo e suave, olhos gentis, uma tristeza silenciosa que ela n\u00e3o conseguia esconder. Ela n\u00e3o era feia. Tamb\u00e9m n\u00e3o era bonita. Apenas parecia cansada. Quando saiu de casa, o sol estava forte demais. Sua tia agarrou seu pulso e a puxou para frente como se estivesse arrastando uma mala pesada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Maya n\u00e3o disse uma palavra. N\u00e3o lutou. N\u00e3o reclamou. Simplesmente obedeceu, porque era tudo o que ela sempre conhecera. Mas, no fundo do seu cora\u00e7\u00e3o, um sussurro fraco cintilou. Talvez este n\u00e3o fosse o fim. Talvez a vida tivesse algo mais reservado para ela. Algo que ela ainda n\u00e3o conseguia ver. Algo que talvez um dia fizesse sentido.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ela n\u00e3o sabia disso na \u00e9poca. Mas conhecer Adrienne Moore mudaria tudo. Seu mundo, seu cora\u00e7\u00e3o, seu destino, e a garota rejeitada pelo mundo estavam prestes a dar in\u00edcio a uma hist\u00f3ria que ela jamais imaginou. Antes do acidente, Adrien Moore vivia uma vida com a qual a maioria dos jovens apenas sonhava. Aos 27 anos, ele era uma estrela em ascens\u00e3o no mundo da tecnologia, brilhante, ambicioso e admirado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Seu nome aparecia em revistas de neg\u00f3cios. Suas inova\u00e7\u00f5es eram elogiadas em confer\u00eancias. Seus pais se gabavam dele em todos os jantares. As pessoas diziam coisas como: \u201cEle vai mudar o mundo. Ele \u00e9 impar\u00e1vel. Ele \u00e9 o futuro.\u201d E Adrien acreditava nisso. Ele queria acreditar nisso. Trabalhava at\u00e9 tarde da noite, \u00e0s vezes dormia no escrit\u00f3rio, rabiscava novas ideias em cadernos que se acumulavam por todo o apartamento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ele tinha sede de sucesso, n\u00e3o porque amasse dinheiro, mas porque amava criar coisas que melhorassem a vida das pessoas. Mas tudo mudou num instante. Aconteceu numa noite chuvosa. Adrienne acabara de terminar uma apresenta\u00e7\u00e3o e dirigia para casa, exausta, mas feliz. O para-brisa estava emba\u00e7ado pela tempestade. Os postes de luz piscavam atrav\u00e9s da \u00e1gua.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sua m\u00fasica favorita tocava baixinho ao fundo. Ele n\u00e3o viu o caminh\u00e3o se aproximando. Houve um estrondo ensurdecedor. Um violento giro de metal e vidro, e ent\u00e3o escurid\u00e3o. Quando acordou no hospital, tudo parecia errado. Suas pernas estavam dormentes, pesadas, distantes, como se n\u00e3o pertencessem mais ao seu corpo. A voz do m\u00e9dico era gentil, mas firme.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Voc\u00ea sofreu um trauma grave na regi\u00e3o lombar. Faremos tudo o que estiver ao nosso alcance, mas talvez voc\u00ea n\u00e3o volte a andar. Essa frase o despeda\u00e7ou. Ele. O impar\u00e1vel. O brilhante. O futuro agora preso em uma cadeira de rodas. Assim, de repente, seu mundo desabou. As semanas seguintes foram um turbilh\u00e3o de dor, cirurgias e medicamentos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Adrien viu seus m\u00fasculos enfraquecerem. Viu suas economias desaparecerem, consumidas por contas m\u00e9dicas. Viu oportunidades escaparem por entre seus dedos. Viu parceiros se distanciarem. No in\u00edcio, os amigos o visitavam. &#8220;Estamos aqui para voc\u00ea, cara. Voc\u00ea vai se recuperar. Mantenha o otimismo.&#8221; Depois, as visitas diminu\u00edram. E ent\u00e3o, pararam completamente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As pessoas n\u00e3o gostavam de estar perto de coisas quebradas. Principalmente pessoas que antes brilhavam. Seus pais ficaram, \u00e9 claro. Eles eram amorosos, leais, apavorados por ele. Alimentavam-no, cuidavam dele, ficavam acordados quando ele chorava a noite toda. Mas nem mesmo eles conseguiam esconder o medo nos olhos. Seu filho, antes forte, antes impar\u00e1vel, estava perdendo completamente a esperan\u00e7a. Cestas de presentes<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ele tentou de tudo. Terapeutas, novos m\u00e9dicos, tratamentos experimentais, especialistas em dor, acupuntura, hidroterapia. Alguns dias, achava que sentia leves formigamentos nas pernas. Outros, nada. E cada tentativa frustrada era como se mais uma porta se fechasse. \u00c0s vezes, sentava-se no sil\u00eancio do quarto e sussurrava: \u201cPor que eu? O que eu fiz de errado?\u201d. N\u00e3o porque acreditasse merecer respostas, mas porque o sil\u00eancio dentro dele era pesado demais para carregar sozinho.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ele odiava se sentir impotente, odiava ver seus sonhos desmoronarem, odiava depender de todos. Mas o que ele mais odiava era sentir que havia se tornado um fardo. Seus pais viam sua dor. Eles n\u00e3o estavam tentando substituir seus sonhos ou for\u00e7ar um novo caminho para ele. Estavam simplesmente desesperados para lhe dar algo, qualquer coisa que pudesse iluminar a escurid\u00e3o que o consumia, algu\u00e9m com quem conversar, algu\u00e9m para sentar ao seu lado, algu\u00e9m que pudesse amenizar sua solid\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Foi assim que surgiu a ideia do casamento. N\u00e3o por romance, n\u00e3o por tradi\u00e7\u00e3o, n\u00e3o para fingir, apenas por companhia, apenas por uma presen\u00e7a calorosa em seu mundo frio. Adrien n\u00e3o queria. S\u00f3 de pensar nisso, sentia-se derrotado. Quem iria querer se casar com um homem destru\u00eddo? Perguntou-se certa noite, com os olhos ardendo em l\u00e1grimas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sua m\u00e3e tocou sua m\u00e3o, a voz tr\u00eamula, algu\u00e9m gentil, algu\u00e9m bondoso, algu\u00e9m que n\u00e3o o visse como algu\u00e9m quebrado. Mas Adrien n\u00e3o acreditava que tal pessoa existisse. N\u00e3o para ele. No dia em que Maya entrou em sua vida, ele estava sentado em sua cadeira de rodas perto da janela da sala, olhando para fora. Ele n\u00e3o esperava ningu\u00e9m. Ele n\u00e3o queria ningu\u00e9m.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao ouvir passos, ele se preparou, esperando encontrar outro m\u00e9dico, outro terapeuta, outro estranho cheio de pena. Mas, em vez disso, viu-a. Uma garota de olhos suaves. Uma garota que parecia assustada. Uma garota que parecia estar tentando se fazer menor do que j\u00e1 era. Ela estava parada, nervosa, ao lado de seus pais. Suas m\u00e3os se cruzavam e se abriam como se ela n\u00e3o soubesse o que mais fazer com elas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sua tia pairava atr\u00e1s dela com um sorriso tenso e orgulhoso, como se estivesse apresentando um produto, n\u00e3o uma pessoa. Adrienne esperava julgamento. Ele esperava nojo. Esperava a pena que vira em tantos olhos. Mas quando Maya olhou para ele, n\u00e3o desviou o olhar. N\u00e3o olhou fixamente. N\u00e3o encarou a cadeira de rodas. Olhou diretamente em seus olhos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E algo nele mudou ligeiramente. N\u00e3o esperan\u00e7a, n\u00e3o felicidade, mais como reconhecimento, uma compreens\u00e3o silenciosa. Duas almas quebradas se encontrando em meio \u00e0 sua tristeza. Seus pais os apresentaram, suas vozes suaves, esperan\u00e7osas, nervosas. \u201cEsta \u00e9 Maya\u201d, disse sua m\u00e3e. \u201cEla vai ser sua esposa.\u201d Maya engoliu em seco, sua voz quase um sussurro. \u201cOl\u00e1?\u201d Adrienne assentiu. \u201cOi.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um sil\u00eancio denso e desconfort\u00e1vel se instalou. Ele n\u00e3o queria uma estranha em sua vida. E ela tamb\u00e9m n\u00e3o queria estar ali. Ele percebia isso em sua postura t\u00edmida e tr\u00eamula, no jeito como seus olhos se desviavam para baixo a cada poucos segundos, no jeito como sua tia apertava seu ombro com um pouco de for\u00e7a demais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ap\u00f3s um longo momento, Adrienne falou suavemente. &#8220;Voc\u00ea n\u00e3o quer isso&#8221;, disse ele. Ela balan\u00e7ou a cabe\u00e7a lentamente. &#8220;Nem eu.&#8221; Sua respira\u00e7\u00e3o falhou. Talvez de al\u00edvio, talvez de medo. Ele esperava que o constrangimento pairasse entre eles como uma n\u00e9voa. Mas, em vez disso, algo inesperado aconteceu. Ela n\u00e3o teve pena dele. N\u00e3o demonstrou falsa compaix\u00e3o. N\u00e3o for\u00e7ou a conversa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ela simplesmente baixou o olhar e sussurrou: &#8220;Sinto muito por tudo o que voc\u00ea passou.&#8221; N\u00e3o: &#8220;Sinto muito que voc\u00ea esteja em uma cadeira de rodas.&#8221; N\u00e3o: &#8220;Sinto muito que sua vida esteja arruinada.&#8221; Apenas: &#8220;Sinto muito pela dor dele.&#8221; Ningu\u00e9m nunca havia dito isso a ele antes. N\u00e3o daquela forma. N\u00e3o com tanta delicadeza. Pela primeira vez em meses, Adrien se sentiu compreendido.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00e3o como um homem derrotado, n\u00e3o como um paciente, n\u00e3o como uma decep\u00e7\u00e3o, mas como um ser humano. As fam\u00edlias conversavam sobre log\u00edstica, detalhes, preparativos. Adrienne mal ouvia. Em vez disso, observava Maya, suas m\u00e3os girando nervosamente a barra da manga, os olhos vagando em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 janela quando ningu\u00e9m estava olhando. A tristeza silenciosa em sua postura. Jogos em fam\u00edlia<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ele n\u00e3o era o \u00fanico preso em uma vida que n\u00e3o escolheu. Ela era a segunda. Dois estranhos, duas hist\u00f3rias de dor, duas pessoas for\u00e7adas a um futuro que nenhuma delas pediu. E de alguma forma, isso o magoava. Quando estavam prestes a sair, Maya se levantou e curvou a cabe\u00e7a educadamente. Adrienne se surpreendeu ao falar novamente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cN\u00e3o sei se consigo te fazer feliz\u201d, disse ele baixinho. \u201cMas n\u00e3o vou te machucar\u201d, ela o olhou, os olhos transbordando um calor que ele n\u00e3o esperava. \u201cE n\u00e3o vou te julgar\u201d, sussurrou ela. Foi uma troca m\u00ednima, apenas algumas frases, um lampejo de conex\u00e3o, mas foi o suficiente para acalmar algo em seu cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Pela primeira vez em muito tempo, Adrien se sentiu menos sozinho. Naquela noite, ele entrou no quarto com sua cadeira de rodas, fechou a porta e ficou olhando para o teto. Suas pernas ainda do\u00edam. Seu cora\u00e7\u00e3o ainda estava pesado. Seu futuro ainda parecia sombrio. Mas a voz de uma garota quieta e tr\u00eamula continuava ecoando em sua mente. &#8220;Sinto muito por tudo que voc\u00ea passou.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Talvez ela entendesse a dor. Talvez ela entendesse a solid\u00e3o. Talvez, s\u00f3 talvez, ela estivesse destinada a cruzar o caminho dele. Ele n\u00e3o sabia o que o futuro lhe reservava. Mas, pela primeira vez desde o acidente, ele n\u00e3o se sentia completamente sem esperan\u00e7a. N\u00e3o quando algu\u00e9m como Maya o olhava sem medo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00e3o quando ela lhe falou sem piedade. N\u00e3o quando seus peda\u00e7os quebrados pareceram se encaixar, ainda que minimamente, e enquanto ele adormecia num sono inquieto. Um pensamento persistia. Talvez duas almas quebradas pudessem aprender a se curar juntas. O dia do casamento chegou mais r\u00e1pido do que qualquer um deles esperava ou desejava. N\u00e3o havia flores, nem decora\u00e7\u00f5es, nem m\u00fasica alegre, nem parentes emocionados enxugando l\u00e1grimas de felicidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um pequeno sal\u00e3o emprestado por algumas horas. Um punhado de vizinhos \u00e1vidos por fofocar e duas pessoas caminhando rumo a um futuro que nenhuma delas havia escolhido. Maya estava parada na entrada do sal\u00e3o, com as palmas das m\u00e3os suando dentro das luvas finas que sua tia a obrigara a usar. Seu vestido era simples, um pouco folgado na cintura e um tanto comprido, ent\u00e3o ela precisava segur\u00e1-lo com cuidado para n\u00e3o trope\u00e7ar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ela n\u00e3o se sentia como uma noiva. Sentia-se como um erro sendo for\u00e7ada a se encaixar. Sua tia se aproximou e sussurrou bruscamente: &#8220;Mantenha a cabe\u00e7a erguida. N\u00e3o me envergonhe.&#8221; Maya assentiu, engolindo o n\u00f3 na garganta. Ela n\u00e3o disse que estava nervosa. N\u00e3o disse que tinha vontade de fugir. N\u00e3o disse que estava apavorada com o que viria a seguir. Ela simplesmente caminhou para frente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Cada passo parecia mais pesado que o anterior. Adrien estava sentado na frente, em sua cadeira de rodas, com as m\u00e3os cruzadas e uma express\u00e3o indecifr\u00e1vel. Ele parecia elegante e bonito em seu terno escuro, mas qualquer um que o conhecesse bem podia ver o vazio em seus olhos. Seus pais estavam ao seu lado, tentando apoi\u00e1-lo, mas at\u00e9 eles pareciam incertos, divididos entre a esperan\u00e7a e a tristeza.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando a m\u00fasica come\u00e7ou, todos se viraram para olhar para Maya, e os sussurros come\u00e7aram instantaneamente. Ela est\u00e1 t\u00e3o grande. Coitado do rapaz. Ele costumava ser t\u00e3o bonito e bem-sucedido. Que destino terr\u00edvel para os dois. Esse casamento \u00e9 um desastre. Duas pessoas destru\u00eddas. Que triste. Maya tentou n\u00e3o se encolher. Tentou n\u00e3o chorar. Tentou n\u00e3o demonstrar o quanto aquelas palavras a atingiram, mas ela ouviu cada uma delas. Adrienne tamb\u00e9m as ouviu.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Seu maxilar se contraiu. Suas m\u00e3os se agarraram aos bra\u00e7os da cadeira de rodas. N\u00e3o porque os insultos fossem dirigidos a ele, mas porque eram dirigidos a ela, e ela n\u00e3o merecia aquilo. Quando Maya se aproximou, seus olhares se encontraram brevemente. Ela esperava julgamento. Esperava pena. Esperava rejei\u00e7\u00e3o. Em vez disso, Adrienne olhou para ela gentilmente e sussurrou: \u201cEst\u00e1 tudo bem. Apenas respire.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Foi a primeira coisa reconfortante que algu\u00e9m lhe dissera naquele dia, talvez naquele ano, talvez at\u00e9 em toda a sua vida. A cerim\u00f4nia foi curta e dolorosamente constrangedora. O celebrante leu os votos rapidamente, como se quisesse terminar logo com aquilo. As respostas foram silenciosas, t\u00edmidas, quase inaud\u00edveis. N\u00e3o houve sorrisos, nem fa\u00edsca, nem olhares de entusiasmo, apenas duas almas cansadas concordando com algo que n\u00e3o compreendiam completamente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando foram declarados marido e mulher, aplausos educados ecoaram pelo pequeno sal\u00e3o. Maya n\u00e3o se sentia casada. Sentia-se anestesiada. Sua tia a abra\u00e7ou rigidamente. \u00d3timo. Agora voc\u00ea \u00e9 responsabilidade de outra pessoa. Adrienne viu os ombros de Maya se tensionarem sob o aperto da tia. Ele n\u00e3o disse nada, mas algo profundo dentro dele mudou.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um instinto de prote\u00e7\u00e3o, embora ele ainda n\u00e3o soubesse como. Quando a pequena reuni\u00e3o terminou, os rec\u00e9m-casados \u200b\u200bforam levados para a casa de Adrienne. Seus pais o ajudaram a entrar no carro, e Maya sentou-se ao lado dele sem jeito, mantendo as m\u00e3os firmemente cruzadas no colo. Eles n\u00e3o disseram nada, n\u00e3o porque n\u00e3o quisessem, mas porque nenhum dos dois sabia o que dizer.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Maya n\u00e3o parava de o observar de soslaio. Notava a leve curvatura dos seus ombros, a tristeza silenciosa na sua express\u00e3o, a forma como evitava olhar para as pernas, como se fossem uma lembran\u00e7a de tudo o que perdera. Adrienne tamb\u00e9m a notou. Os dedos tr\u00eamulos, a postura r\u00edgida, o medo que ela se esfor\u00e7ava tanto para esconder.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Eram estranhas, mas suas dores eram semelhantes. Quando chegaram \u00e0 casa, a m\u00e3e de Adrienne deu um abra\u00e7o caloroso em Maya. &#8220;Bem-vinda&#8221;, disse ela suavemente. &#8220;Voc\u00ea est\u00e1 segura aqui.&#8221; Mia quase chorou ali mesmo. Ningu\u00e9m nunca havia lhe dito que ela estava segura. O pai de Adrienne assentiu gentilmente. &#8220;Se precisar de alguma coisa, venha at\u00e9 n\u00f3s. Sua fam\u00edlia agora. Fam\u00edlia. Jogos em fam\u00edlia.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A palavra soava estranha. Fr\u00e1gil. Quase fr\u00e1gil demais para tocar. Mostraram-lhe o quarto que ela dividiria com Adrien. N\u00e3o era muito grande nem muito luxuoso, mas era limpo, iluminado e tinha um leve cheiro de lavanda. Maya ficou parada sem jeito perto da cama enquanto os pais de Adrienne o levavam para dentro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cVamos te dar um pouco de espa\u00e7o\u201d, disse sua m\u00e3e gentilmente antes de fechar a porta. Um sil\u00eancio se instalou. Maya deu um passo cauteloso para tr\u00e1s, sem saber o que fazer. \u201cHum, eu posso dormir na cadeira se voc\u00ea quiser\u201d, sussurrou. Adrienne balan\u00e7ou a cabe\u00e7a. N\u00e3o, por favor, n\u00e3o fa\u00e7a isso. Ela mexeu na ajeita do vestido. N\u00e3o quero que voc\u00ea se sinta desconfort\u00e1vel. Ele a encarou. Eu j\u00e1 estou desconfort\u00e1vel, disse ele honestamente. Mas n\u00e3o por sua causa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tudo. Maya assentiu lentamente. Eu entendo. Ela realmente entendia. Ela entendia a dor da separa\u00e7\u00e3o. Ela entendia a dor. Ela entendia a sensa\u00e7\u00e3o de ser indesejada mais do que qualquer outra pessoa jamais poderia. Os primeiros dias de casamento foram silenciosos, n\u00e3o frios, n\u00e3o hostis, apenas tranquilos. Eles se moviam um ao redor do outro como duas sombras compartilhando o mesmo espa\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Maya limpava o quarto delicadamente, com cuidado para n\u00e3o o perturbar. Adrien lia livros ou ficava olhando pela janela por horas. Perdido em seus pensamentos, eles mal conversavam durante as refei\u00e7\u00f5es, quase n\u00e3o trocavam olhares, quase n\u00e3o existiam no mundo um do outro. Mas o sil\u00eancio tem o poder de revelar a verdade. E, aos poucos, eles come\u00e7aram a notar as coisas. Estantes de livros<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Maya percebeu como Adrien fazia caretas sempre que tentava ajustar as pernas, como cerrava os dentes quando a dor aumentava, como engolia em seco sempre que a cadeira de rodas rangia. Como se o pr\u00f3prio som o estivesse provocando. Adrienne notou como Maya hesitava antes de se sentar, como se esperasse que algu\u00e9m a repreendesse.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Como ela caminhava em sil\u00eancio, esperando cr\u00edticas. Como ela se paralisava com ru\u00eddos altos e repentinos. Duas pessoas dominadas pelo medo. Dois cora\u00e7\u00f5es costurados pela dor. Certa noite, aconteceu. Adrienne deixou cair um livro sem querer. Ele caiu perto dos p\u00e9s dele, onde ele n\u00e3o conseguia alcan\u00e7ar. Ele tentou se inclinar para a frente. A dor percorreu sua espinha. Ele fez uma careta e soltou um suspiro agudo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Antes que ele pudesse tentar novamente, Maya se apressou e pegou o livro. &#8220;Eu peguei&#8221;, sussurrou ela, colocando-o delicadamente em suas m\u00e3os. Adrienne encarou o livro por um instante, depois olhou para ela. &#8220;Obrigado&#8221;, disse ele suavemente. &#8220;Duas simples palavras.&#8221; Mas para Maya, elas soaram como raios de sol rompendo uma nuvem escura.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ningu\u00e9m nunca a agradeceu. Nem sinceramente, nem gentilmente, nem com delicadeza. Ela engoliu em seco, a voz baixinha. De nada. Depois daquela noite, algo mudou. Maya come\u00e7ou a fazer pequenas coisas por ele: ajeitar o cobertor, levar-lhe as refei\u00e7\u00f5es, abrir a janela para entrar ar fresco, ler as instru\u00e7\u00f5es nos frascos de rem\u00e9dio, n\u00e3o por obriga\u00e7\u00e3o, mas porque queria ajudar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E Adrien, t\u00e3o acostumado com terapeutas, enfermeiras e assistentes, sentiu algo que n\u00e3o sentia h\u00e1 muito tempo: conforto, n\u00e3o cuidados profissionais, n\u00e3o rotinas m\u00e9dicas, apenas pura bondade humana. Certa noite, enquanto Maya colocava um copo d&#8217;\u00e1gua em sua mesa, ele sussurrou: &#8220;Obrigado por estar aqui&#8221;. Maya paralisou.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ningu\u00e9m jamais lhe dissera aquelas palavras. Sua voz tremia. &#8220;N\u00e3o sei o que dizer.&#8221; &#8220;Voc\u00ea n\u00e3o precisa dizer nada&#8221;, ele respondeu. &#8220;Saiba apenas que sou grato.&#8221; Seu peito apertou com uma emo\u00e7\u00e3o que ela n\u00e3o reconhecia h\u00e1 anos. Calor, n\u00e3o amor, ainda n\u00e3o. N\u00e3o afeto, ainda n\u00e3o. Apenas calor. Aquele tipo de calor que faz voc\u00ea querer respirar mais fundo. Cestas de presentes<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Aquele tipo de sil\u00eancio que fazia voc\u00ea querer que o amanh\u00e3 chegasse um pouco mais r\u00e1pido. Aquele tipo de sil\u00eancio que fazia a solid\u00e3o parecer menos pesada. O casamento deles ainda era silencioso, ainda estranho, ainda incerto. Mas agora o sil\u00eancio n\u00e3o era doloroso, era pac\u00edfico. Duas almas quebradas estavam lentamente aprendendo a sentar no mesmo c\u00f4modo sem medo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Dois cora\u00e7\u00f5es feridos davam os primeiros passos rumo \u00e0 cura. E embora nenhum dos dois dissesse em voz alta, ambos sentiam. Algo estava mudando. N\u00e3o r\u00e1pido, n\u00e3o drasticamente, mas lentamente, como o amanhecer surgindo no horizonte. Um casamento constru\u00eddo sobre o sil\u00eancio e a tristeza come\u00e7ava a respirar. A primeira semana de casamento passou silenciosamente, quase silenciosamente demais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sem gritos, sem discuss\u00f5es, sem brigas dram\u00e1ticas. Apenas duas almas gentis aprendendo a conviver. Mas algo novo come\u00e7ou a florescer no sil\u00eancio. Algo inesperado. Algo que nenhum dos dois sabia nomear ainda. Tudo come\u00e7ou com pequenas conversas. Uma pergunta aqui. Um coment\u00e1rio ali.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um olhar t\u00edmido foi trocado durante o caf\u00e9 da manh\u00e3. A cada dia, o sil\u00eancio se tornava um pouco mais suave. Na terceira manh\u00e3, Adrienne perguntou: &#8220;Voc\u00ea gosta de ler?&#8221; Maya piscou, surpresa por ele estar falando com ela. &#8220;Hum, eu gostava antes.&#8221; Ela hesitou. &#8220;Minha tia n\u00e3o gostava que eu lesse. Dizia que era perda de tempo.&#8221; As sobrancelhas de Adrienne se franziram. &#8220;Isso \u00e9 injusto.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Maya deu de ombros, esbo\u00e7ando um sorriso triste m\u00ednimo. &#8220;Tudo bem. J\u00e1 me acostumei.&#8221; Ele queria dizer: &#8220;N\u00e3o deveria.&#8221; Mas n\u00e3o sabia como dizer isso sem parecer zangado em nome dela, ent\u00e3o apenas assentiu. Naquela noite, ele lhe entregou um livro. &#8220;Acho que voc\u00ea vai gostar deste&#8221;, disse ele suavemente. &#8220;\u00c9 sobre uma garota que descobre a pr\u00f3pria for\u00e7a.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Maya segurava o livro como se fosse algo fr\u00e1gil e precioso. &#8220;Obrigada&#8221;, sussurrou, com os olhos brilhando. No quinto dia, Mia o ajudou durante a sess\u00e3o de fisioterapia. Seus pais geralmente o auxiliavam, mas estavam fora fazendo compras, ent\u00e3o eram apenas os dois. Adrien teve dificuldade para se levantar da cama e ir para a cadeira de rodas, e a dor o atingiu r\u00e1pida, aguda, ardente, insuport\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ele cerrou os dentes, tentando disfar\u00e7ar. Mas Maya percebeu imediatamente. &#8220;Est\u00e1 tudo bem&#8221;, disse ela baixinho, aproximando-se. &#8220;N\u00e3o se apresse&#8221;, ele suspirou, com a voz tr\u00eamula. &#8220;Eu odeio isso. Eu sei&#8221;, ela sussurrou. &#8220;Mas estou aqui. Voc\u00ea n\u00e3o est\u00e1 sozinho.&#8221; As palavras soaram como um calor reconfortante em meio ao frio e ao peso que ele carregava dentro de si. Juntos, eles conseguiram completar os exerc\u00edcios terap\u00eauticos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Passos lentos, dolorosos e frustrantes rumo a um futuro que ele n\u00e3o tinha certeza se um dia alcan\u00e7aria. Mas, pela primeira vez em meses, ele n\u00e3o se envergonhou de sua luta. N\u00e3o com ela o observando com olhos gentis e pacientes. No sexto dia, o riso voltou a invadir a casa, inesperadamente, como uma fa\u00edsca na escurid\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Eles estavam na cozinha. Maya cortava legumes enquanto Adrien, sentado \u00e0 mesa, dava conselhos culin\u00e1rios in\u00fateis. &#8220;Voc\u00ea est\u00e1 cortando muito pequeno&#8221;, provocou ele. Ela o olhou com as sobrancelhas arqueadas. &#8220;Quer tentar cortar voc\u00ea mesmo?&#8221; Ele piscou. &#8220;N\u00e3o, n\u00e3o consigo.&#8221; Ela sorriu suavemente. &#8220;Ent\u00e3o deixe-me cortar do tamanho que eu quiser.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ele abriu a boca, fingindo objetar, e ent\u00e3o caiu na gargalhada. Um som suave e caloroso que Maya n\u00e3o esperava. Ela o encarou por um instante. &#8220;Voc\u00ea est\u00e1 rindo&#8221;, disse ela baixinho, como se estivesse testemunhando um raro milagre. Ele fez uma pausa, repentinamente constrangido. &#8220;Desculpe, n\u00e3o precisa se desculpar.&#8221; Ela balan\u00e7ou a cabe\u00e7a. &#8220;\u00c9 bom.&#8221; Sentiu as bochechas esquentarem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Seu peito parecia mais leve. A cozinha n\u00e3o parecia mais solit\u00e1ria. Mas o s\u00e9timo dia&#8230; esse foi o dia em que tudo mudou. Come\u00e7ou como qualquer outra manh\u00e3. A luz do sol invadiu a casa. P\u00e1ssaros cantavam do lado de fora da janela. A vida parecia mais tranquila, mais suave, mais acolhedora. Maya tinha acabado de preparar o caf\u00e9 da manh\u00e3 quando ouviu vozes vindas do quarto de Adrienne.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ela n\u00e3o queria se intrometer. Respeitava a privacidade dele acima de tudo, ent\u00e3o come\u00e7ou a se afastar, mas ouviu uma frase que a fez congelar. &#8220;Adrien, finalmente encontramos a cirurgia que pode restaurar sua capacidade de andar, mas o custo \u00e9 extremamente alto.&#8221; A voz do m\u00e9dico era baixa e s\u00e9ria. Maya prendeu a respira\u00e7\u00e3o. Uma cirurgia, uma chance para ele andar novamente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Depois de tudo o que ele havia passado, ela deu um pequeno passo para tr\u00e1s, com o cora\u00e7\u00e3o acelerado. Atrav\u00e9s da porta entreaberta, viu Adrien sentado em sua cadeira de rodas, o rosto p\u00e1lido, mas esperan\u00e7oso. &#8220;Quanto custa?&#8221;, perguntou ele. O m\u00e9dico hesitou. &#8220;Muito mais do que a maioria das pessoas pode pagar. E como seu plano de sa\u00fade n\u00e3o cobre mais tratamentos avan\u00e7ados&#8230;&#8221; Maya sentiu o peso daquelas palavras como um soco.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ent\u00e3o ela ouviu Adrienne sussurrar, com a voz embargada: &#8220;Eu n\u00e3o tenho mais esse tipo de dinheiro.&#8221; Seguiu-se um sil\u00eancio. Um sil\u00eancio doloroso. Um sil\u00eancio dilacerante. Adrien olhou para as pr\u00f3prias pernas, com as m\u00e3os tremendo. &#8220;Est\u00e1 tudo bem&#8221;, murmurou ele depois de um longo momento. &#8220;Vou aceitar minha vida assim.&#8221; A resigna\u00e7\u00e3o em sua voz dilacerou o cora\u00e7\u00e3o de Maya.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><p>Quando um enorme jato particular pousou atr\u00e1s de sua casa, toda a vizinhan\u00e7a gritou. Ningu\u00e9m esperava por isso. N\u00e3o para ela. 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